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Sobre a Crônica e o Camaleão

O Conceito: Camaleão é uma espécie de largato que pode medir de 1 a 2 metros de comprimento, sendo encontrado nas praças e nas ruas. Muda de cor de acordo com o ambiente e quando está excitado, provocado ou nervoso. Seus olhos (cobertos por pálpebras que lhes deixam pequenas frestas) podem mover-se em diferentes direções, o que às vezes dá a impressão de estrabismo. Possui uma língua quase tão grande quanto o corpo, a qual distende repentinamente para caçar canalhas.

 

O Camaleão: Vinícius Canhoto é um escritor nascido entre novembro de 1879  &   janeiro de 1980, na cidade de São Bernardo do Campo, periferia metalúrgica de São Paulo. Cresceu na província Santo André, subúrbio famoso por seus amores violentos & crimes passionais. A data de sua morte ainda não fora marcada. De sua vida o que se pode publicar é que dedicara alguns meses à História, alguns dias à Sociologia, alguns anos à Filosofia e grande parte da vida à Literatura. Quando em vez busca, por meio de seus escritos, escapar de seu apreço pela ironia, esse movimento ao canto da boca, cheio de mistérios, inventado por algum grego da decadência, contraído por Luciano e transmitido a Swift, Machado, Borges e Voltaire, própria dos céticos e dos cínicos. Neste intervalo, escreveu alguns compêndios, entre eles Inferno Riscado a Giz, Livro do Esquecimento e 7Exercícios para Mão Esquerda

 

A Crônica: Este blog se propõe a trabalhar dois gêneros de profunda desconfiança dos camaleões: a biografia e a crônica. Suas origens são tão controversas quanto a própria natureza dos gêneros. Por conta disso, preferimos atribuir uma fundação mítica da mescla entre os gêneros ao escolhermos a platônica Apologia de Sócrates e o sofístico Elogio de Helena como exemplos, embora saibamos — e talvez por este mesmo motivo os elegemos — que Platão, ao final de sua Sétima Carta, teria dito acerca daquilo que tanto se ocupara, quanto aos que o ouvira e aqueles que o ouviriam tenham sido capazes de compreender o assunto ao qual se dedicara por toda a vida e de modo algum se pode falar, pois não há obra sua escrita sobre o tema nem haverá. Górgias, por sua vez, ao final de seu discurso sobre a infâmia de uma mulher, confessa que tentara em seu elogio desfazer a injustiça de uma censura e, por outro, fazer deste discurso seu brinquedo. Por tais premissas, o leitor poderá supor alguma suspeita da parte do narrador e seus ancestrais retóricos, o que não seria de todo cioso. Cabe ainda ressaltar que haverá historiadores e estudiosos mais rigorosos que poderão atribuir a Heródoto, Tucídites ou, se ousarem mais, a Homero ou Moisés a origem do gênero que trata do tempo e do olhar perceptível ao movimento do tempo, ao modo que aprendemos com Kant, que somente ao homem é possível relatar. Talvez toda essa desconfiança dos camaleões faça sentido na medida em que estes escritos se tornaram uma sátira e uma crónica de costumes ou uma paródia da memória e da própria vida como o autor aprendera nas visitas de Borges a sua casa que sempre, entre um café e outro, citava Carlyle: “A história universal é um texto provisório que somos obrigados a ler e a escrever sem descanso e onde, ao mesmo tempo, nos escrevemos a nós”.

Alguns de seus contos se encontram perdidos perdidos no: http://infernoriscadoagiz.wordpress.com/ 

 

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2 Comentários leave one →
  1. junho 2, 2010 2:10 am

    Parabéns, caro Esquerdo! Muito bom, como sempre.
    Grande abraço!
    Marcos

  2. Gabrielle permalink
    novembro 15, 2012 11:16 pm

    Parabéns, Vinícius, por mais essa iniciativa!!
    Abraço!
    Gabrielle.

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